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Bossa Nova

De acordo com especialistas musicais os "fundadores" da bossa nova chegaram a esse gênero musical através do jazz. Nesse grupo pode ser incluído o mestre Antônio Carlos Jobim .

A bossa nova surgiu no final da década de 50 constituindo-se como uma maneira de tocar música e não um gênero de música.

A bossa nova teve início com os jovens da classe média branca das cidades, talvez como uma reação ao compasso 2/4 da percussão dos negros. O surgimento da bossa nova afastou o samba de suas fontes populares. Durante a década de 50 começou a haver uma separação social no Rio de Janeiro, onde os pobres moravam nos morros ou na zona norte e a classe média e os ricos moravam na zona sul, longe do ritmo popular do samba. Os jovens que moravam em apartamentos em Copacabana cansaram-se da música importada americana e decidiram que precisávamos de um novo tipo de samba com base na música clássica e jazz com poesia erudita e ai nada melhor do que as letras de Vinícius de Moraes. Foi o casamento perfeito.

E foi assim que em 1956, jovens da classe média passaram a se reunir no apartamento de Nara Leão, na Avenida Atlântica em Copacabana, para fazer "samba sessions", que era nada menos que tocar samba em estilo de jazz, sem hora para começar ou acabar e com improvisações. Desse grupo, que ficou famoso no decorrer dos anos 60, faziam parte Roberto Menescal, Luis Carlos Vinhas, os irmãos Castro Neves, Ronaldo Bôscoli, Nara Leão e outros. Alguns ainda freqüentavam o antigo curso colegial e outros já faziam vestibular para entrar na faculdade. Todos, porém, desejavam fazer um tipo de batida musical diferente e com letra diferente do samba que só falava em barracão. E foi ai que surgiu a nova batida tão esperada com o baiano gênio João Gilberto, descoberto pela "turma" na boate Plaza, em Copacabana e que se destacava do conjunto musical ao qual pertencia devido aos improvisos de sua invenção de acordes compactos com passagens de bitonalidades claras em relação aos outros instrumentos. Após as amizades feitas começaram a surgir composições com arranjos e acompanhamentos de violão estilo João Gilberto.

E assim surgiu o primeiro "long-play" de bossa nova "Chega de saudade" , Odeon. A contra capa foi escrita por Antônio Carlos Jobim.

João Gilberto passou a fazer parte do grupo e começou a interpretar, a seu modo, as composições do grupo.

A palavra bossa foi utilizado na década de 30 no samba "Coisas nossas", de Noel Rosa, que diz em uma das estrofes: "O samba, a prontidão/e outras bossas,/são nossas coisas, /...". E a expressão bossa nova passou a ser muito utilizada a partir da década de 40, em especial nos sambas de breque com paradas súbitas na música para encaixar falas, surgindo ai o termo cheio de bossa, que era o improvisador que demonstrava ter um nível elevado de inteligência.

De acordo com pesquisadores, em 1959, o conjunto de Roberto Menescal foi tocar no Grupo Universitário Hebraico Brasileiro, em Laranjeiras, Rio de Janeiro e à entrada havia um quadro, escrito a giz, onde se lia: "Hoje, João Gilberto, Silvinha Teles e um grupo bossa nova apresentando sambas modernos". Quando os componentes do grupo começaram a entrar com os instrumentos as pessoas perguntavam: "Vocês é que são os bossa nova?", com o qual Ronaldo Bôscoli concordava.

A partir desse dia o grupo passou a ter cantores de rádio como João Gilbeto e Silvinha Teles.

Ao grupo original juntaram-se Luis Eça (piano), Bebeto (saxofone), José Henrique (contrabaixo de cordas) e Carlos Lira (compositor, violonista e cantor).

Surgiu, então, a oportunidade de ganhar dinheiro gravando discos. Para que isso acontecesse vários cantores, compositores, orquestras e pianistas profissionais juntaram-se ao grupo, entre eles Alaíde Costa, Lucio Alves, Norma Bengell, Severino Filho e muitos outros. Sendo o mais original o fabuloso João Gilberto.

A bossa nova passou, em sentido mais amplo, a ser incorporada a MPB que era a música universitária pós bossa nova, e não conseguiu se impor ao mercado internacional como música brasileira. Nessa época o LP de bossa nova mais vendido em todo o mundo foi o do norte americano Stan Getz, intitulado "Getz e Gilberto". Após esse fato, a bossa nova procurou aproximar-se do povo.

Carlos Lira, revoltado com o excesso de estrangeirismo no movimento da bossa nova compôs a música "Criticando" e depois o samba "Influência do jazz", 1961.

Na década de 60, a situação política do País não favorecia economicamente ao movimento da bossa nova, pois os jovens universitários não viam perspectivas de ascensão sócio-econômica em seu movimento e passaram a criticar a realidade da época, foi assim que surgiu a UNE (União Nacional dos Estudantes) e dentro dela o CPC (Centro Popular de Cultura), com a finalidade de promover discussões políticas, produzir filmes, divulgar peças de teatro, discos de música popular brasileira e o compositor passa a ser o intérprete dos sentimentos populares fazendo a população perceber o que estava causando as dificuldades para o povo.

Foi através da música e de peças teatrais públicas que esses compositores tentaram passar para o povo uma ideologia. Contudo, o povo não entendia a linguagem musical do grupo e, conseqüentemente, não se identificava com ela. Nessa época foi lançado o documentário "Couro de gato", produzido por Joaquim Pedro de Andrade, 1960. O documentário focalizava meninos de morro caçando gatos para tirar o couro e fazer tamborins. A música foi composta por Carlos Lira e Geraldo Vandré e contrastava com a realidade do documentário.

"Quem quiser encontrar o amor
Vai ter que sofrer..."


Houve a tentativa de Carlos Lira e seu parceiro Nélson Lins e Barros (1920-1966) de se juntarem aos compositores de samba tradicionais como Cartola e Nelson Cavaquinho, o que não deu certo na hora de tocarem juntos, as escolas musicais eram diferentes. A parceria nasceu com o que não tocava violão Zé Keti, que compôs com Carlos Lira o "Samba da Legalidade", 1962.

No final de 1960, José Ricardo compôs "Zelão", e a partir daí os compositores da bossa nova passaram a cantar com poesia as dores dos moradores das favelas cariocas, surgindo daí, em 1962, a música "O morro não tem vez", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, interpretada magistralmente por Elis Regina.

"O morro
Não tem vez
E o que ele fez
Já foi demais..


Mas, o sentimento do povo continuava a ser cantado nos sambas. Apareceram outros estudantes compositores entre eles Edu Lobo e Sidney Miller que em 1965 continuaram a linha musical de Carlos Lira. Sidney Miller criou o Movimento de Integração sem ligação direta com o grupo baiano liderado por Caetano Veloso e em fins de 1965, o Movimento Integração disseminou-se passando a ser integrado por diversos grupos chegando a ter um grupo formado em Brasília, Grupo Decisão.

Todos os grupos tentavam nacionalizar a bossa nova fazendo uma fusão desta com o samba. A tentativa foi feita no show "Opinião", dirigido por Augusto Boal, 1964. Houve a mistura do cantor nordestino João do Vale, autor da música "Carcará", com um compositor urbano popular, Zé Keti e uma cantora da alta classe média carioca, Nara Leão.

Ficou, então, provado que as vertentes musicais não conseguiam se misturar.

Com o lançamento no Brasil do filme "A hard day's night" (Beatles), a segunda geração da bossa nova Geraldo Vandré, Edu Lobo e Chico Buarque de Holanda lançam festivais de música popular que foram bem sucedidos e que não tinham quase nada de bossa nova.

No I Festival de Musica Popular Brasileira, no Guarujá, em São Paulo ganhou a música "Arrastão", de Edu Lobo, 1965, divinamente interpretada por Elis Regina.

No II Festival de Musica Popular Brasileira, realizado em São Paulo, 1966, ficaram empatadas em primeiro lugar "Disparada", de Geraldo Vandré e "A Banda", de Chico Buarque de Holanda.


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