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Nina Simone
Quando esteve no Brasil, sua primeira pergunta para os jornalistas foi: "O que fizeram com o carnaval? Me disseram que agora é uma festa só para ricos".
Os pais de Nina tiveram oito filhos. Nina era a sétima e chegou a estudar piano na mais famosa escola de música da época, a Julliard, em Nova York, o que foi uma incrível façanha para uma mulher negra e pobre nos Estados Unidos na década de 50. Seu dom para a música era fora do comum e logo aprendeu a tocar o instrumento com perfeição. Com 18 anos já tocava piano em bares para sustentar a família até que em 1954, foi trabalhar em um bar irlandês em Nova Jersey onde o proprietário exigia, também, que ela cantasse. E foi ali que nasceu a rainha dos blues e do jazz.
O nome Nina Simone foi adotado por dois motivos: Nina ela gostava porque significava pequena e Simone foi em homenagem à atriz francesa Simone Signoret, de quem era fã.
Suas primeiras músicas foram gravadas nos anos 50, para a gravadora Bethlehem que mostrou ao mundo sua capacidade descomunal de ao mesmo tempo tocar piano, cantar, fazer os arranjos das músicas e ser compositora. Em 1959, a música “I love you Porgy”, da ópera “Porgy and Bess”, transformou-a a nível de Carnegie Hallll em Nova York e estrela principal do Festival de Jazz de Newport.
Seu forte lado político veio mais uma vez à tona, em 1963, quando quatro crianças negras morreram em um ataque a uma igreja em Birmingham. Nina respondeu com a canção “Mississipi Goddam”. Na letra da música Nina colocou toda a amargura e ressentimento que os negros americanos sentiam pelo seu próprio país. Essa música está no primeiro disco que gravou para a Philips. A partir daí Nina Simone marcou sua característica: excelente tom de voz, excelente ao piano, e com excelência demonstrava seu amor, alegria e ódio pela sua pátria.
Nina teve a canção “Quatro mulheres” proibida de ser tocada na Philadelphia e em Nova York,1966. Diziam que a canção incitava os negros à revolta. A música era um lamento. Nina cantou de Bob Dylan a George Harrison.
Perseguida pelo governo americano, radicou-se em Paris e sempre pedia para não comprarem nenhum de seus discos gravados nos Estados Unidos pois, por motivos políticos, o governo americano sempre confiscava o dinheiro dos seus direitos autorais. Essa perseguição, dizia a cantora, era devido à sua luta incessante pelos direitos civis, em especial, pelos direitos dos negros que ela sempre defendia publicamente.
Sem ter mais o que lutar em um país cheio de segregações e com a perseguição clara sobre sua pessoa, mudou-se para a Franca, depois Libéria, Suíça onde participou, à distância, com 20 canções de protesto, para o movimento racial americano. Depois, mudou-se para a Holanda e passava somente 5 meses por ano em seu apartamento em Hollywood.
Com a candidatura, anos 80, do negro Jesse Jackson à presidência dos Estados Unidos, Nina esperava que os negros recuperassem seu lugar na América. Durante os anos 60/70, Nina foi a única cantora que fazia política através de músicas de sua autoria. Em 1978, lançou o tão esperado: “Baltimore”. Em 1982, já em Paris, gravou um disco com canções que falavam sobre seu exílio voluntário.
Em 1990, gravou com Maria Bethânia a música "Pronta pra cantar", de Caetano Veloso e em 1991 com a sul africana Miriam Makeba. Contudo, foi em 1966 que esteve no Brasil pela primeira vez, para o carnaval. Junto com sua banda, formada por Leopoldo Fleming (percussão), Tony Jones (baixo), Paul Robinson (bateria), Xavier Collados (teclados) e Al Schackman fez várias turnês.
Em 1997 foi destaque no festival de jazz de Nice, França. Em 1998, no Festival de Jazz de Thessalonica, na Grécia e, em 1999 no Festival de Blues de Dublin, na Irlanda, onde teve como parceira de palco sua filha Lisa Celeste com quem fez alguns duetos. A rainha da balada aprendeu a cantar com Billie Holliday e dizia não ter culpa se o público chorava em suas apresentações. Contudo, dizia sempre que gostava mais quando o público começava a dançar e cantar durante seus shows.
A deusa negra lançou um livro sobre seus tempos felizes na África e na Suíça e também sobre seus casos amorosos com os homens que ela mesma dizia terem sido muitos. A lenda musical do Jazz, Nina Simone, morreu dia 21 de abril de 2003, com 70 anos de idade, em sua casa no sul da França, onde morava há oito anos.
O jazz e o blues perderam a última de suas grandes intérpretes pois Nina fazia parte das divas do jazz e blues junto com Billie, Ella, Sarah, Carmem, Betty e Dinah.
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