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Arte Colonial no Brasil (Sec. XVI e XVII)

Por volta de 1530, os portugueses começaram a se estabelecer na costa do Brasil, e iniciaram a construção de entrepostos para estocar o pau-brasil e outros produtos tropicais nativos, e também o para comércio de escravos. Os entrepostos eram construções precárias, cercadas de paliçadas que serviam como defesa contra os ataques dos índios e dos aventureiros, especialmente os franceses, que na época disputavam o comércio europeu com os portugueses.

As mais importantes feitorias foram Arraial do Cabo, fundada em 1503, por Américo Vespúcio, a da Bahia, fundada em 1510, por Diogo Álvares e a do Rio de Janeiro, fundada em 1519, por João Braga.

Em 1530, D. João III, Rei de Portugal, mandou uma expedição comandada por Martim Afonso de Souza para expulsar os franceses de Pernambuco. Além disso, Martim Afonso de Souza fundou São Vicente e a Vila de Santo André, em São Paulo.

Na tentativa de dividir o Brasil em 12 capitanias hereditárias e seu posterior fracasso, Portugal nomeou um governador geral, Tomé de Souza, que em 1549 fundou Salvador, declarada então capital da colônia. Após esse fato, e assegurada a posse da terra, foram estabelecidos os poderes civis e religiosos. Depois, chegaram os jesuítas, e a partir daí iniciaram-se as primeiras manifestações artísticas na Bahia, Pernambuco, São Vicente, Paraíba, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

João Gonçalves Viana foi, provavelmente, o primeiro escultor que trabalhou no Brasil, por volta de 1550. Ele modelou algumas imagens religiosas em barro cozido, como a estátua de Nossa Senhora da Conceição, para a Matriz de São Vicente, em 1560.

Durante o período chamado de "Brasil Econômico", a principal expressão artística era a arquitetura militar, pública e religiosa. Seu maior expoente foi Francisco Frias (1587-1645), que chegou em 1603 no nordeste do Brasil e ficou conhecido como "Mesquita", tendo sido nomeado Primeiro Arquiteto do Brasil.

Nos latifúndios setentrionais, as pinturas de Franz Post demonstram que não havia uma uniformidade arquitetônica no Brasil.

As igrejas das missões eram construídas com influências maneiristas, interpretadas livremente pelos executantes, geralmente mamelucos (mestiços de branco e índio). O maneirismo é evidente nos interiores das igrejas, nos púlpitos, nos altares e nas pinturas dos forros. Era uma tendência cabocla, de livre adaptação de modelos europeus.

Quando a Espanha começou a dominar Portugal, a partir de 1580 até 1640, os colonos brasileiros tiveram que resistir aos ataques dos ingleses, franceses e holandeses. De 1630 até 1654, o nordeste brasileiro esteve sob o domínio da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. Durante o governo do Conde de Nassau, a arte e a cultura no Brasil tiveram anos riquíssimos. Em Recife, no Estado de Pernambuco, o governador coordenou a ampliação e a restauração urbanística e artística da cidade, utilizando projetos do arquiteto Pieter Posto, expoente do classicismo nos Países Baixos. Maurício de Nassau deixou no Brasil mais de duas mil edificações feitas de pedra e tijolo, em estilo nórdico, com fachadas estreitas, dois ou mais andares e teto pontiagudo. A mão de obra e quase todo o material vinham da Europa, ou das ruínas portuguesas já existentes por aqui.

O período de Maurício de Nassau é muito importante na história da cultura brasileira, devido à intensa atividade de um grupo de pintores ligados ao governador. Durante seu governo, viveram em Pernambuco artistas flamengos, holandeses e alemães conhecidos tradicionalmente como "os pintores de Nassau". Eles foram os primeiros em todas as colônias americanas a ousarem pintar temas não religiosos, tais como paisagens locais, natureza morta com as flores e frutas do Novo Mundo, indígenas e animais exóticos.

Maurício de Nassau enviou em 1678, ao Rei da França Luis XIV, alguns presentes brasileiros, entre eles obras de seis pintores: Franz Post, Albert Eckhout, do alemão Zacharias Wagner, soldado da Companhia das Índias, autor do "Livro dos Animais" que se encontra no Gabinete das Estampas de Dresden e contém 112 aquarelas; obras do alemão Georg Marcgraf e de outro alemão Gaspar Schmalkalden, que pintava e desenhava o que via. Finalmente, obras de Cornelis Goliath e Jan Vingboons.

Em 1654, os holandeses foram expulsos do nordeste e aquela região brasileira, tão importante para a economia do país, renovou a sua arquitetura e as suas tendências artísticas. Neste período, foi adotado o pomposo barroco.

Com o retorno da dinastia portuguesa ao trono de Lisboa, seguiu-se uma nova linguagem espacial exuberante, substituindo a sobriedade dos maneiristas e a rigidez dos artistas do Século XVI. Foi no interior das igrejas de Salvador, capital da colônia, que o estilo barroco de origem portuguesa e italiana mais se fez notar.

No Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, na suntuosa decoração do interior da igreja, pode-se ver a colaboração de frei Domingos da Conceição Silva (1643-1718), tido como um dos maiores escultores de origem portuguesa no Brasil. A imagem do Senhor Crucificado (1688), que se encontra até hoje no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, é considerada uma das obras primas do Século XVII.

A maior parte das obras religiosas que existiu nas igrejas brasileiras no Século XVII era originária de Portugal e trazida com grandes despesas pelos Jesuítas.

Durante o Século XVII, com exceção dos "artistas de Nassau", as atividades artísticas eram desenvolvidas nas igrejas e conventos, e os temas eram sempre sagrados. Dessa época, conhecemos alguns nomes e algumas obras raras. Desse grupo consta o holandês Belchior Paulo, que chegou ao Brasil em 1597 e também João Batista (1557-1609), que em 1606 foi recebido pela Companhia de Jesus de Pernambuco.

Baltazar de Campos, holandês (1614-1687), que chegou ao Maranhão em 1661, é o autor dos quadros da Vida de Cristo, na antiga sacristia da Igreja de São Francisco Xavier. Também no Maranhão, João Felipe Bettendorff (1625-1698) realizou pinturas nas igrejas de Gurupatuba e Inhaúba.

Outro importante pintor seiscentista foi Antônio Lustosa, que trabalhou na Bahia. A pedido dos irmãos da Santa Casa de Misericórdia de Salvador, ele pintou as duas faces da bandeira que era carregada nas procissões.

Ainda nessa época, Eusébio de Matos (1629-1692), irmão do poeta Gregório de Matos, fundou a Escola Baiana de Pintura. Dizem ter sido aluno dos discípulos de Nassau.

Outro nome deste período é Lourenço Veloso. Nascido em Goa, Veloso formou-se em Lisboa, e demonstrava em seus trabalhos que estava familiarizado com os retratos de Rembrandt e El Greco.

Dentre os pintores da época, a única obra identificada com segurança é a de Frei Ricardo do Pilar, nascido em Colônia, na Alemanha entre 1630 e 1640, e morto no Rio de Janeiro em 1702. Aprendeu sua arte na escola flamenga ou alemã. Suas obras lembram muito seu conterrâneo Rembrandt, com traços de audácia técnica.

Nesse período a produção artesanal no Brasil não revelou grandes trabalhos. Assim sendo, os móveis brasileiros não eram diferentes dos portugueses, o que é percebido pelas formas rígidas dos trabalhos feitos nos móveis domésticos como armários e mesas com pernas torneadas. Nesses móveis, eram normalmente pintadas figuras geométricas ou floreadas, com embutidos em marfim e outras madeiras. As arcas revelam influência oriental.

Os ourives, que realizavam um trabalho proibido a judeus, mórmons e índios, por se relacionarem com objetos de cultos, eram na maioria negros ou mulatos. Entre eles destacaram-se Francisco Vieira, o "Fanha". O ouro e a prata vinham do Peru e de outras colônias espanholas, através da Argentina. Era uma ourivesaria simples. Os trabalhos mais sofisticados continham incrustações em pedras preciosas, que eram utilizadas nos acessórios das imagens dos santos, como coroas e auréolas.

Os utensílios domésticos eram feitos com cerâmica importada de Portugal e Espanha, ou com o estanho e a prata brasileiros.

As pequenas imagens domésticas eram esculpidas por artesãos anônimos, em madeira ou barro cozido. Eram obras simples com poses estáticas e desenhos angulosos.

Em Olinda, nasceu, viveu e morreu, em 1618, com apenas 23 anos, a primeira pintora brasileira de que se tem notícia: Rita Joana de Souza.


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